Hélio Paz: não dissemine a maldade achando que a está criticando

Hélio Paz: não dissemine a maldade achando que a está criticando

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Não compartihei, nas redes sociais, nenhum dos memes sobre a suposta saída de “Bobão” do Brasil depois da reeleição da presidenta Dilma e não compartilharei, assim como não repercuto as sandices de Mervais, Constantinos et caterva. Porque compartilho, isto sim, da opinião do professor Hélio Paz, de que não se deve dar mais visibilidade à maldade.

O texto a seguir é de Hélio Paz.

Minha única fala sobre o caso Lobão será esta.

Vocês nunca viram uma curtida, um comentário ou um compartilhamento meu sobre a fala dele.

Infelizmente, a esmagadora maioria das pessoas (muitas delas de esquerda) transformou a leitura dessa opinião infeliz sob todos os aspectos em propagação da fofoca, em Ibope.

E era isso tanto o que ele queria como aqueles que soltam fel a partir de sua voz.

Cada um sabe de si e todos possuem os seus critérios de pauta. Mas se a opinião de alguém que começou a trabalhar com Jornalismo, Publicidade e Comunicação Digital há 23 anos serve pra alguma coisa, deixo um recado:

– Se vocês que se dizem tão politizados, cultos e experientes (não conto aqui o pessoal que age como fã e nem tampouco os despolitizados que enxergam o mundo como uma mera relação entre causa e efeito sob a mesma lente míope da maioria neoliberal a qual se opõem) querem fazer militância séria, propositiva, esclarecedora e debatedora, recomendo não curtir, não compartilhar e não comentar esses posts.

Por que? Porque, exatamente ao contrário do que vocês pensam, vocês não estão disseminando conhecimento. Vocês não estão disseminando esclarecimento. Vocês não estão deixando claro de que lado da sociedade vocês estão.

No máximo, vocês têm feito com que os amigos e assinantes do feed de suas respectivas linhas de tempo (timelines do Facebook) e seguidores no Twitter reacionários pensem que vocês estão juntos. Eles compõem a maioria dos interagentes nas redes (ao contrário do que vocês imaginam) e compreendem que vocês estão endossando essa prática.

Pensem nos milhões de cliques que vocês estimulam e no dinheiro que cada clique ajuda a retroalimentar esse jornalismo marrom e essa inversão de valores acerca da relevância de uma pessoa ou de uma fala como essa para a sociedade.

Isso vale até mesmo para o jornalismo mais investigativo e mais humanista, que não pertence às grandes corporações: a esmagadora maioria das pessoas não lê a matéria inteira e não se dá o trabalho de escrever ou de gravar uma opinião reflexiva de contraponto.

Nesse aspecto, partindo do pressuposto de que a maioria de vocês considera baixo nível, futilidade e extrema ignorância a cultura de fã, absolutamente todos (a mídia dita “progressista” e o seu público) não fazem nada mais profundo do que imitar a dinâmica de Contigo, Minha Novela e Caras.

Às vezes, ainda fazem pior, pois, se reclamam que o outro lado espalha o medo, o golpe, etc., essas pequenas “brincadeiras” nada mais são do que um efeito rebote que iguala a todos.

Sim, isto foi um pito. Afinal de contas, vocês ajudam a erguer várias múmias de seus sarcófagos, transformando-as em heroínas e disparando o alarme dos espertos departamentos de marketing das corporações midiáticas, que irão contratá-las e sustenta-las como operadoras do sistema capazes de conquistar o público jovem que não lê os operadores mais antigos.

Aliás, vamos combinar: ao invés de compartilhar quando esses operadores são calados por especialistas honestos dentro da própria programação da qual participam, dentro da casa deles, vocês se preocupam com a pessoa ou com a fala deles – como se esperassem ingenuamente que eles fossem mudar ou fazer algo diferente do discurso para o qual são pagos.

Vocês riem e ficam indignados com suas falas – o que é absolutamente justo. No entanto, lembrem-se de que também prestam-se a um triste papel de inocentes úteis, já que seus ouvintes, telespectadores e leitores os procuram porque pensam da mesma maneira. Eles só fazem a cabeça de quem já pensa parecido.

Ao invés de deixá-los dentro de suas bolhas, vocês alimentam o monstro.

Apenas reflitam.

Grato.

Publicado originalmente na página de Hélio Paz no Facebook.

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2014-10-28T17:25:33+00:00 outubro 2014|Opinião|

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