Red Light Chicago: Como ser um aliado das trabalhadoras sexuais

Red Light Chicago: Como ser um aliado das trabalhadoras sexuais

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No dia 17 de dezembro, Dia Internacional pelo Fim da Violência Contra Trabalhadoras Sexuais, publiquei a tradução de um artigo de Artemisia de Vine — como você pode ajudar a combater o estigma contra trabalhadoras sexuais[1] — em que ela sugere outros dois artigos. E o primeiro deles é este sobre como ser aliado das trabalhadoras sexuais.

Texto a seguir é do blog Red Light Chicago.

1) Não suponha. Não suponha que você sabe porquê a pessoa está na indústria do sexo. Não somos todas vítimas de tráfico ou vítimas de abuso. Algumas pessoas fazem a escolha de entrar nessa indústria porque gostam disso, outras podem estar passando por problemas financeiros e têm menos escolhas.

2) Seja discreto e respeite os limites pessoais. Se você conhece uma pessoa que é trabalhadora sexual, não há problemas de conversar com elas em particular, mas respeite a privacidade sobre seu trabalho em locais públicos. Não faça perguntas pessoais como “sua família sabe o que você faz?” Se uma trabalhadora sexual não revela isso a seus amigos, família e colegas de trabalho, não é da sua conta dizer isso a todos.

3) Não julgue. Conheça os seus preconceitos e saiba que nem todos compartilham da mesma opinião que você. Se você pensa que o trabalho sexual é perigoso e que explora as pessoas ou não, isso é irrelevante comparado às experiências da pessoa que trabalha nesse meio. Não faça julgamentos sobre como outras pessoas ganham o dinheiro de que precisam para viver.

4) Cuidado com sua linguagem. Contar piadas ou usar o termo “puta” — o texto original também menciona “hooker”, “whore”, “slut” e “ho” — de forma depreciativa não é aceitável. Ainda que trabalhadoras sexuais tenham se apropriado dessas palavras combater o seu sentido depreciativo, o uso dessas palavras por outras pessoas ainda têm sentido aviltante.

5) Trate do seu preconceito. Se você tem preconceitos ou medo de que as pessoas que são trabalhadoras sexuais sejam más ou sejam portadoras de doenças, então esses são problemas seus que você precisa tratar. Na verdade, a maioria das trabalhadoras sexuais pratica sexo seguro e faz testes preventivos regularmente.

6) Não pense que elas precisam de resgate. Nem todas as trabalhadoras estão tentando deixar essa atividade ou precisando de ajuda. Pergunte-as o que elas precisam, mas nem todas estão procurando por resgate ou por um final feliz como no filme Uma Linda Mulher.

7) Se você é cliente ou empregador de trabalhadoras sexuais, respeite os limites. Você está comprando um serviço, não uma pessoa. Não pergunte pelo nome real, não ligue a qualquer hora, nem pense que sua prostituta favorita vai começar um relacionamento com você fora do expediente.

8) Faça sua própria pesquisa. A maior parte da grande mídia tem preconceito contra trabalhadoras sexuais e as estatísticas que você lê sobre a indústria do sexo são imprecisas. Seja crítico em relação ao que você lê ou ouve, eduque-se sobre quem exatamente está transmitido doenças ou sendo vítima de tráfico humano.

9) Respeite que trabalho sexual é trabalho. Há uma variedade de habilidades envolvidas e não é um meio em que todos podem entrar. Não diga a alguém para encontrar um “trabalho de verdade” quando essa pessoa já tem o trabalho que lhe convém.

10) Só porque uma pessoa é uma trabalhadora sexual, não significa que essa pessoa tem que fazer sexo com você. Não importa em que área da indústria sexual uma pessoa trabalha, não suponha que essa pessoa seja promíscua, também não suponha que essa pessoa tem vontade de fazer sexo com qualquer um a qualquer hora.

11) Seja solidário e compartilhe recursos. Se você conhece alguém que entrou recentemente nessa profissão ou que está passando por uma situação abusiva com um empregador, ofereça ajuda sem ser condescendente. Algumas pessoas entram na indústria do sexo sem procurar informações sobre o que vão fazer e podem precisar de ajuda. Apesar da situação, chamar a polícia geralmente não é uma boa opção. Tente encontrar organizações que conhecem as necessidades das trabalhadoras sexuais.

12) Á medida que você aprende tudo o que foi listado acima, defenda trabalhadoras sexuais quando conversas sobre o assunto ocorrerem. Conte sobre experiências pessoais, se preferir. Não deixe o estigma, a intolerância e a vergonha em relação ao trabalho sexual continuarem. Lembre-se de que é importante que as trabalhadoras sexuais falem por si mesmas.

Compreenda que o trabalho sexual transcende as noções de etnia, gênero, classe social, orientação sexual, educação. Trabalhadoras sexuais são irmãs, irmãos, mães, pais, namorados, namoradas, amigos e amigas. Respeite.

Publicado originalmente em Red Light Chicago » How to be an ally to sex workers.

[1] Artemisia de Vine: Como você pode ajudar a combater o estigma contra trabalhadoras sexuais

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2014-12-19T08:00:31+00:00 dezembro 2014|Opinião|

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