Violência contra a mulher: uma triste realidade

Violência contra a mulher: uma triste realidade

Duas pesquisas do Instituto Avon e Data Popular sobre violência contra a mulher divulgadas recentemente mostram em números a violência que percebemos dia após dia.

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Percepção dos homens sobre a violência doméstica contra a mulher

1000 homens e 500 mulheres responderam ao questionário da pesquisa. Alguns dos resultados:

  • 56% dos homens admitem que já cometeram alguma dessas formas de agressão: xingou, empurrou, agrediu com palavras, deu tapa, deu soco, impediu de sair de casa, obrigou a fazer sexo;
  • 85% consideram inaceitável que uma mulher fique bêbada;
  • 69% consideram inaceitável que uma mulher saia com amigos e amigas, sem o marido;
  • 46% condenam que uma mulher use roupas que consideram “inadequadas”;
  • 37% dos homens acham que, por causa da Lei Maria da Penha, as mulheres os desrespeitam mais;
  • 89% dos homens consideram inaceitável que a mulher não mantenha a casa em ordem;
  • 53% a mulher é a principal responsável pelo sucesso do casamento.

Na opinião dos homens, a primeira coisa que uma mulher deve fazer, se o marido praticar violência, é:

  • 36% conversar com ele,
  • 23% se separar dele,
  • 17% chamar a polícia,
  • 11% procurar a Delegacia da Mulher,
  • 3% dar mais carinho e atenção para ele,
  • 3% conversar com amigos e parentes,
  • 2% obedecê-lo,
  • 3% outros,
  • 2% não sabe não respondeu.

Se pensar nos 28% que responderam que a mulher deve recorrer ao aparato policial e nos 23% que responderam que a mulher deve se separar do canalha, ainda dá pra sonhar em ter esperança. Eu acho que as duas coisas devem ser feitas, imediatamente, na primeira ocorrência de qualquer tipo de violência: chamar a polícia e dar um pé na bunda do desgraçado.

Imagine a seguinte situação, que não tem nada de hipotética para muitas mulheres: uma pessoa em quem você acreditava que podia confiar grita com você, xinga você e bate em você. E ainda tem homem que tem a ousadia de achar que a mulher tem que conversar com o agressor ou pior obedecê-lo. Espera só um pouquinho que eu vou lá vomitar e já volto, tenho nojo de vocês!

A maioria dos homens não apoia que a mulher procure a Delegacia da Mulher se o marido:

  • xingá-la,
  • empurrá-la,
  • humilhá-la em público,
  • impedi-la de sair,
  • ameaçá-la com palavras,
  • obrigá-la a fazer sexo sem vontade. (Ei, cidadão, o nome disso é ESTUPRO!)

Portanto, a maioria dos homens não sabe, ou convenientemente ignora, que tudo o que foi citado acima é violência.

Violência contra a mulher: o jovem está ligado?

A outra pesquisa, feita com jovens de 16 a 24 anos, homens e mulheres, também tem resultados decepcionantes. Embora 96% desses jovens digam que percebem a existência do machismo, eles reproduzem o machismo no seu comportamento.

Jovens aprovam valores machistas:

  • 25% diz que, se uma mulher usa decote e saia curta, é porque está se oferecendo para os homens;
  • 38% diz que a mulher que tem relações sexuais com muitos homens não é para namorar;
  • 41% diz que a mulher deve ficar com poucos homens;
  • 48% considera errado que uma mulher saia com amigos e amigas se não tiver marido, namorado ou ficante sério;
  • 51% diz que a mulher deve ter a primeira relação sexual com um namorado sério;
  • 68% considera errado que uma mulher tenha relações sexuais na primeira vez que sai com um homem;
  • 78% desaprova que uma mulher tenha vários relacionamentos (ficantes ou casinhos);
  • 80% desaprova que uma mulher fique bêbada em bares, em festas ou na balada.

78% das mulheres já foram assediadas em locais públicos.

A pesquisa ainda detalha uma série de outros comportamentos abusivos como ocorrência de assédio em locais públicos; relação sexual sem camisinha por insistência do homem; invasão de privacidade com o homem exigindo senhas de acesso ao celular, ao email e às redes sociais.

Violência contra a mulher não se limita a agressão física.

Relacionamentos, geralmente, não começam abusivos. Nós, mulheres, precisamos estar sempre alertas ao menor sinal de comportamentos possessivos, pois ainda tentam nos sufocar com baboseiras de todo tipo: mulheres são mais emotivas, mulheres têm que encontrar um marido (o mito do príncipe encantado), o amor é cego, … E assim a lista segue indefinidamente.

Relacionamentos abusivos não se limitam aos relacionamentos amorosos.

Ignorar as diversas formas de violência contra as mulheres ou, ainda pior, tentar culpá-las e silenciá-las faz sofrer ainda mais àquelas que são vítimas desses e outros tipos de abusos. Faz sofrer a todas, e mostra que denunciar a violência é necessário, que ainda há um longo caminho até que esses comportamentos não sejam mais tolerados.

Infelizmente, é muito difícil uma pessoa admitir que seu comportamento é machista, que uma atitude sua é opressora. Vivemos numa sociedade machista, homens e mulheres tendem a defender aquilo em que aprenderam a acreditar e que consideram como certo e natural. Para os homens, trata-se de negar privilégios. Para todos, homens e mulheres, trata-se de fazer uma auto-crítica ou de aceitar críticas sobre o próprio comportamento.

Leia também:
O estigma da vítima, texto de Jarid Arraes no blog Questão de Gênro.

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2016-09-18T20:05:22+00:00 dezembro 2014|Opinião|

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